Foi no exercício de buscar compreender o fazer e refazer diário com a terra,
o barro como centro de sonhos, como nos esclarece Gaston Bachelard,
que hoje comento que a terra tem sido doce, fresca ao tato, e rigorosa também,
ao ensinar-me a ler na imprevisibilidade e na impermanência das etapas do procedimento cerâmico, fazendo-me decidir a cada interferência com um misto de intuição e técnica.
Tem exigido reflexão sobre os resultados depois da queima
e assim tenho tido pretensões menos dominadoras,
permitindo-me abrir um diálogo com ela, a terra,
observando sua beleza perdida em aspectos que se descarta ao longo do processo construtivo
e imaginando tendências em vez de exatidão, no momento atual caracterizado pela diversidade.

Conceição Fenandes